5 anos.

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Há 5 anos, nesse momento, eu recebia a notícia mais dolorosa de toda a minha vida. Aquela pessoa com a qual eu vivi e convivi todos os anos da minha vida, desde a formação da minha primeira célula, havia dado seu último respiro, e suspiro, e partiu.

Dor mais intensa e sentida não há. Juro!

Mesmo com todo o cuidado que recebi de Deus antes mesmo disso acontecer. Mesmo com todo o cuidado que recebi das pessoas que estavam comigo ali naquele exato momento da notícia. Mesmo com todo o cuidado através do tom de voz e das palavras ecoadas pela boca desnorteada de uma filha que acabara de perder sua mãe. Mesmo com todo o cuidado que recebi nas horas que viriam a seguir.

Dor mais intensa e sentida não há. Até hoje!

Pra alguns poderia ser a esposa do Seu Mário Guido. Pra outros, Dona Mafalda. Pra outros ainda, tia Mafalda. Pra outros mais, Mafalda. Pra outros, vó Mafalda. Pra mim…

Ah, pra mim…! Pra mim era minha vó. Minha véia. Minha Naná. Minha Máfia. Minha Pedra Preciosa. Minha mãe. Minha referência. Meu porto seguro. Minha âncora. Minha genética. Meu sangue. Meu coração fora do peito. Minha risada mais gostosa. Minha carinha de sem vergonha arteira. Meu cheiro de Leite de Rosas na pele sedosa. Meu cabelo branquinho lavado com sabão de coco. Meu batom tom de vinho sapecado na boca pequena. Minha roupa tom de mostarda, meu casaquinho de pele, um pum disfarçado de chinelinho arrastando a sola no chão, meu ‘dormir’ disfarçado de ‘descansando os olhos um pouquinho’. Meu ‘boa noite’ no final do telejornal.

Pra mim era um trago disfarçado de uma ‘acendidinha no cigarro’, uma ‘batata frita que amo mas não gosto de purê’, um ‘volta pra cá, essa casa também é sua!’, um ‘Li, você está se alimentando direito?’. Era uma gargalhada gostosa ao telefone quando falava comigo. Era um sorriso maroto quando tirava onda de algo/alguém. Era a vaidade e a delicadeza com a aparência quando ia aos médicos. Era a confusão quando conferia mil vezes cada extrato de banco ou notinha do mercado. Ela era tantas e tão única. Tão singular. Tão ela.

Dor mais intensa e sentida não há. Prometo tentar disfarçar!

Mas as vezes é difícil. E dói dentro e fora do peito. Dói pelos olhos. Dói pelo grito desesperado… calado. Dói pela raiva de não ter poder sobre a morte. Dói por não ter conseguido trocar de lugar com ela. Dói por saber que, quando eu casar, ou quando tiver meus filhos, ou minhas conquistas pessoais, ela não vai estar ali. Dói e dói pra caralho. Quando não quero que doa. Quando espero que doa. Quando dói.

Meu amor. Meu verdadeiro amor.

Dor mais intensa e sentida não há. Eu vou conseguir te reencontrar?

Cinco anos se passaram, e voaram. As vezes custo acreditar. Faz falta em tudo. Tudo. Nos pequenos, nos grandes, nos insignificantes, nos mais marcantes momentos.

Minha vó. Não apenas uma avó. Mas a avó. E com ela aprendi que o amor realmente liberta. Liberta dos preconceitos, dos pré-conceitos, liberta do egoísmo, da posse, dos rancores, das mágoas, liberta da dor, liberta.

E se for pra falar de algo bom, dona Mafalda, eu sempre, sempre, por toda a minha vida, vou lembrar de você.

Que saudades. Que saudades!

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